::: História do Transporte Urbano em Salvador :::

O primeiro serviço público de transportes de passageiros foi idealizado na França em 1662.
Nessa época foi inaugurado um sistema regular de carruagens de madeira, ligando dois extremos de Paris, batizados com o nome de ônibus, que em latim significa para todos.
A história do transporte em Salvador começa em meados de 1845, quando, através de Lei Municipal, foi concedido o privilégio de se estabelecer companhias de ônibus ou gôndolas (espécie de diligências puxadas por quatro animais).
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Gôndola

Somente em 1851 foi iniciado o serviço regular em duas linhas: uma da Cidade Alta até a Barra e outra das Pedreiras até o Bonfim.

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Gôndola
Apelidaram as gôndolas de "maxambombas" e nelas só tinham ingresso "pessoas decentemente vestidas e de cartola". Sobre um dos quatro animais que a puxava ia sentado o cocheiro e o preço da passagem era de uma pataca (320 réis).

Em 1864 foram criadas algumas linhas de diligências sobre trilhos e aprovadas as concessões para os serviços de passageiros entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa.

As concessões foram transferidas posteriormente para o negociante Antônio Francisco de Lacerda, que decidiu implantar um elevador ligando as duas partes da cidade. Utilizando material importado da Inglaterra, foram montados os elevadores, que funcionavam através de sistema hidráulico e que foram inaugurados em dezembro de 1873, com grandes festas populares.
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Elevador Lacerda

A eletrificação foi um fato muito importante para o desenvolvimento do transporte coletivo em Salvador, possibilitando a substituição da tração animal pela elétrica nos bondes. Em 1897 foi inaugurada festivamente, a primeira linha de bondes elétricos, operada pela Cia. Veículos Econômicos, ligando o Comércio a Itapagipe. Até então, o novo serviço só era conhecido na capital federal - o Rio de Janeiro. Após a inauguração do serviço elétrico na Cidade Baixa, a Cia. Linha Circular foi autorizada a utilizar o serviço eletrificado na Cidade Alta. A partir daí, o traçado dessas linhas ditava o direcionamento da expansão da cidade. Em 1910, Salvador contava com uma considerável quantidade de linhas eletrificadas, que atendiam as partes Alta e Baixa da cidade.

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Bonde-Salão
Em 1911, registrou-se a entrada em tráfego do bonde-salão, um veículo de luxo para recepções a altas autoridades em visita à cidade, casamentos, batizados e solenidades. Apareceram também os carros-fúnebres e o bonde-assistência, utilizado para transportar doentes.

Em 1912 se inicia, de modo precário, a operação dos ônibus em Salvador. Nessa época, o bonde era a melhor alternativa de transporte na cidade. As companhias que operavam os bondes, porém, dependiam da importação de material e componentes do exterior, e sofreram grande abalo no período da 1ª Guerra Mundial, de 1914 a 1918, com uma considerável queda nos serviços e forte ataque da imprensa.

Em 1930, o povo, em protesto aos maus serviços e altas tarifas cobradas, tocou fogo em cerca de 60 bondes da Cia. Circular de Carris da Bahia, que acionou o governo e, tendo ganho de causa, não colocou mais bondes em serviço. Assim, durante bastante tempo, Salvador foi uma das cidades mais mal servidas de transportes urbanos do Brasil .

Em 1955 a Prefeitura Municipal baixou decreto considerando em crise os serviços coletivos de transporte e, seis anos depois os bondes foram condenados, sendo extintos pouco a pouco e substituídos pelos ônibus.
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Ônibus
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Trólebus
Em 1957 foram inaugurados os serviços de trólebus na Cidade Baixa, em uma tentativa de substituição aos bondes, mas já nessa época a participação da iniciativa privada através de lotações e ônibus se fazia fortemente presente.

Com expansão do sistema de ônibus nos anos seguintes, houve a regulamentação do serviço de transporte coletivo em 1971, e a partir daí, foram desenvolvidos uma série de Estudos, Planos e Projetos de Transporte para a cidade.

Em 1981 foi iniciada a construção da Estação da Lapa, e em agosto, ocorre o "quebra-quebra" de ônibus em Salvador, deixando um saldo de três mortos, dezenas de feridos e 600 ônibus danificados. Em novembro, foi criada a Secretaria de Transporte Urbanos - STU e estabelecida a tarifa única para o serviço de ônibus.

Em 1984 foi implantado o sistema tronco-alimentador de integração fechada no Terminal EVA que foi substituída pela Estação Nova Esperança em 1986. Nesse ano foi lançado o Projeto Bonde Moderno.

No período de 1989 a 1992 foram concluídas as obras do Projeto Bonde Moderno : via exclusiva Bonocô/Vasco da Gama, viadutos Posto São Jorge, Raul Seixas e Chico Mendes, passarelas na Av. Bonocô, Vasco da Gama, dentre outras.

Em 1992 o sistema de transporte por ônibus passou por uma intensa renovação de frota, com a aquisição de novos e modernos veículos.

Em 1995 foi construída a Estação Pirajá e reformulado o sistema tronco-alimentador na região das Cajazeiras.

Em 1996 o SETPS iniciou o processo de bilhetagem eletrônica, implantando a tecnologia do cartão inteligente - Smart Card, inicialmente utilizado pelos estudantes que têm direito à meia passagem escolar e todas as categorias beneficiadas pela gratuidade no sistema de transporte por ônibus. Atualmente, está em fase de testes a operação com bilhetes eletrônicos de vale transporte.

Em 1998 foi implantado o sub-sistema de transporte complementar operado por vans.

Em 1999 foi realizada Concorrência Pública para a construção do Metrô de Salvador.

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Ônibus Padrão
O crescimento do serviço de transporte por ônibus deveu-se ao aumento da demanda e também à sua maleabilidade operacional, que permitiu uma melhor adaptação às grandes transformações ocorridas nas cidades brasileiras, em especial em Salvador.

Fontes:
Historia do Transporte Urbano no Brasil - Stiel, Waldemar
STP / Arquivos
SETPS / Arquivos

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